quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Garagens de Sucatas

Hoje, no “Diário de S. Paulo”, saiu uma reportagem sobre os ônibus abandonados na região de São Mateus, Zona Leste de São Paulo. Segundo a reportagem eram ônibus da extinta Viação América do Sul, que operou em parte da Zona Leste, até ser descredenciada na gestão Marta Suplicy, pelas dificuldades financeiras que a empresa passava na época. Pra quem não lembra, a empresa também não primava pelo bom atendimento. A maioria de seus onibus estavam em péssimo estado de conservação e manutenção. E isso também foi outra razão de seu descredenciamento.

Toda a vez que ocorre um descredenciamento, o patrimônio da descredenciada fica vinculado à prefeitura para pagamento de eventuais dívidas da contratada com o poder público. Na tentativa de reaver seu patrimônio, a descredenciada recorre à justiça. A partir daí, uma longa novela começa...
Viação Brasília – A lentidão da justiça, com seus julgamentos e recursos eternos, fazem com que situações ridículas ocorram. Hoje, quem quer que vença a briga judicial – seja a Viação América do Sul, seja a Prefeitura – ficará apenas com sucatas que não tem nem de longe o valor que tinham quando foram “depositadas” naquele terreno em São Miguel. Muitos ônibus semi-novos, que chegaram inteiros, rodando, foram completamente depenados e batidos com o passar dos oito anos. Se a solução fosse rápida, e a prefeitura vencesse, poderia vender esses veículos e investir o arrecadado em melhorias em prol da sociedade. Hoje, a ação acabou gerando apenas prejuízo à sociedade e, mesmo que ganhe a causa, não vai cobrir tudo o que foi gasto.
Mas esse não foi o primeiro caso de litigio entre a prefeitura e uma empresa descredenciada. Em 1989, a Viação Brasília foi descredenciada na gestão Jânio Quadros. Da mesma maneira, a empresa recorreu à justiça e o que sobrou de seus ônibus “encampados” encontram-se abandonados em uma garagem da antiga CMTC na Barra Funda. Só as carcaças de antigos Caio Amélia que, por ainda estarem lá, mostra que o processo ainda não chegou ao seu fim.
Perigo de saúde – Além do prejuízo financeiro, esses ônibus abandonados também oferecem perigo à saúde de quem mora na região onde eles estão abandonados. Tudo porque, sem manutenção nenhuma, podem ser criadouros de mosquitos da dengue. Além disso, os óleos e produtos químicos conservantes dos motores poderem contaminar o solo da região. Tudo isso pode agravar o atendimento nos postos de saúde da região.
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O abandono desses e de vários outros ônibus em várias garagens da cidade mostra o quanto a lentidão de nosso judiciário prejudica, em cadeia, toda a sociedade. Gastou-se muito dinheiro nesses anos todos por um objeto que, hoje, praticamente não tem valor – se comparado ao que tinha quando foi iniciada a causa. É preciso uma reforma em nossas leis que ajude a acelerar esses processos para que a sociedade não venha a perder muito mais do que sequer chegou a ganhar.
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Link para a Matéria do Diário de São Paulo: http://www.diariosp.com.br/noticia/detalhe/8054/O+triste+fim+de+uma+frota+de+onibus

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